O crime de Lagoa Seca me chocou. Chocou a Paraíba inteira.
No estacionamento de uma casa de shows, um empresário assassina por emboscada um engenheiro — por causa de uma ex-namorada. Uma história banal na sua origem, aterrorizante no seu desfecho.
Diante da frieza dos fatos, me peguei pensando: o que está acontecendo com a gente?
Vivemos numa geração que não sabe perder. Que não foi ensinada a perder. Que cresce acreditando que tudo aquilo que deseja lhe pertence por direito — e que, quando a realidade nega esse direito, a resposta pode ser a violência. É uma involução silenciosa, que se alimenta de ego sem limite, de ciúme transformado em posse e de amor confundido com domínio. E nessa involução, perdem-se vidas, destroem-se destinos e estraçalham-se famílias.
Se se confirmar a participação da moça no crime — como se especula —, o episódio deixa de ser apenas hediondo para se tornar algo ainda mais perturbador: um assassinato fútil, absolutamente desnecessário, encomendado pela vaidade de quem não aceitou o fim de uma história. E o engenheiro? Morreu inocente. Sem chance de defesa. Sem sequer a oportunidade de um argumento, de uma palavra, de uma explicação que nunca lhe foi pedida.
Há uma lição amarga nessa tragédia, e ela precisa chegar às nossas casas.
Precisamos ensinar aos nossos filhos e filhas que perder faz parte da vida. Que vamos perder e ganhar a vida inteira — em amores, em disputas, em sonhos — e que a dignidade está justamente em saber atravessar as perdas de pé. Que nada aqui é um mar de rosas. Que as tempestades chegam sem avisar, que as pessoas partem sem pedir licença, e que a saída nunca está na violência — está no diálogo, na maturidade, na sabedoria de seguir em frente.
Não é fácil viver. Jamais foi. Mas é possível viver bem, desde que se aprenda, desde cedo, que o outro não nos pertence.
Rezo pelas famílias destroçadas. E entrego a Deus o que só a Ele cabe julgar.
