Não sou analista econômico, mas sou um observador do estado das coisas. Tenho analisado as reações da direita e da esquerda em relação à proposta dos EUA de taxação de 50% sobre as exportações brasileiras que, caso não haja uma intervenção comedida e estratégica do Estado, causará danos inimagináveis ao Brasil.
A primeira “vítima” será o agronegócio, majoritariamente conservador, composto por eleitores e apoiadores da direita. Eles serão os primeiros a reclamar, e com razão, pois as exportações de café e carne bovina perderão espaço para a Colômbia, grande produtora de café, e para a Argentina, que vem fortalecendo sua pecuária e suas exportações de carne.
A segunda vítima, sem aspas, será a classe baixa e, indiretamente, a classe média, que sofrerão com o aumento dos preços e, em alguns casos, até com a escassez de produtos. Sim, mesmo com produção excedente, devido à falta de compradores externos, alguns produtores podem preferir destruir seus produtos ou reduzir a produção a vender no mercado interno, onde os preços são menos atrativos ou o pagamento é incerto. Isso tudo, sem falar no desemprego, que será enorme.
A terceira vítima será o próprio Bolsonaro. As cobranças que ele dirige a outros lhe serão dirigidas na mesma medida.
A esquerda mobilizará todo o seu arsenal: a mídia tradicional, narrativas cuidadosamente construídas e políticos experientes para se posicionar como vítima. O Supremo Tribunal Federal (STF) permanecerá em silêncio, dobrará a aposta contra a liberdade de expressão, contra os conservadores, especialmente contra Bolsonaro, a mídia independente e seus aliados, enquanto encobrirá as ações do governo petista.
A esquerda, o STF e as instituições aparelhadas não se curvarão. Pelo contrário, dobrarão a aposta, pois seu foco não é a situação do povo, mas a manutenção do poder.
Mas, o que fazer?
Aí a questão se aprofunda e recai sobre quem tem responsabilidade direta por tudo isso: o povo!
Se Bolsonaro for preso? Se dobrarem as apostas? Se o Congresso não agir?
Voltamos à mesma questão: o povo continuará deitado em berço esplêndido?
Toda essa história passa, obrigatoriamente, pelo povo. Está nas mãos de quem soltou o bicho colocar a mão na cumbuca.
O resto será história…

