Negligência ou fatalidade?
Era para ser o dia mais feliz da vida de Danielle. O primeiro choro do seu bebê, o abraço da família, a celebração de uma nova vida. Mas virou o dia do último suspiro. Do silêncio no lugar do riso. Do velório no lugar do enxoval.
Ela confiou. Acreditou que o sistema a acolheria. Que suas mãos trêmulas seriam seguras por outras mãos – as de médicos, enfermeiros, o poder municipal. Mas as mãos falharam. O sistema fraquejou. E Danielle caiu – sozinha – no vazio de uma saúde pública municipal que promete, mas não protege.
Campina Grande está doente. Não daquela doença que dá febre ou tosse, mas da pior de todas: a da negligência que mata devagar. A cada leito sem médico, a cada ambulância que não vem, a cada mãe que deixa seu filho órfão porque o socorro chegou tarde.
Não me venham com desculpas. Não me falem de orçamentos ou burocracias. Enquanto os gestores municipais discutem números, Danielle virou estatística. Um nome a mais no relatório de óbitos que ninguém quer ler. Mas ela não era só um número. Era filha. Era amor. Era futuro.
O choro do bebê de Danielle agora é eco de um luto que não deveria existir. E a pergunta que fica é: quantas Danis precisam morrer para que Campina Grande acorde? Quantos filhos precisam perder suas mães, quantas mães precisam perder seus filhos, até que a saúde vire prioridade – e não promessa vazia?
À família de Danielle, o abraço apertado que não pode confortar. À cidade, o grito que não pode mais ser ignorado.