Maioria nas urnas, minoria nas chapas — o paradoxo que vai definir quem governa a Paraíba a partir de 2027
As mulheres decidem eleição no Brasil. Não é força de expressão: é aritmética. Na Paraíba, 1.718.209 eleitoras — 53% do total — vão às urnas em outubro, e nenhum projeto político que ignore esse fato sai vencedor do primeiro turno. O problema é que a política paraibana ainda trata esse dado como estatística de rodapé, não como o que ele é: a variável mais decisiva da eleição de 2026.
O contraste é evidente na composição da própria disputa. Seis candidatos concorrem ao Governo do Estado — e nenhum deles é mulher. O espaço reservado a elas nas chapas majoritárias segue restrito à vice-governança, com quatro nomes femininos disputando essa posição. É o retrato local de um problema nacional: mulheres são maioria do eleitorado brasileiro desde 2018, mas ocupam apenas 18,1% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Manda quem tem menos da metade dos votos.
Isso não significa que a pauta feminina esteja ausente do debate. Ao contrário: ela está mais presente do que em qualquer eleição recente. O PL 953/2026, do senador e candidato ao Governo Efraim Filho, que endurece a pena para feminicídio e amplia mecanismos de enfrentamento à violência doméstica, é prova de que o tema já entrou na agenda legislativa concreta — não fica só no discurso de campanha. A Agência Senado contabilizou pelo menos 30 novas proposições sobre direitos das mulheres tramitando só no primeiro semestre deste ano.
O que falta não é discurso. É reconhecer que segurança, saúde, educação, geração de renda, creche e autonomia financeira não são “pauta de mulher” — são a pauta da maioria do eleitorado paraibano. Quem tratar essas questões como nicho vai perder terreno para quem as tratar como centro da campanha.
Há quem já tenha entendido isso na prática, e não só no discurso. É o caso de Sammara Aguiar, presidente do PL Mulher em Campina Grande, que decidiu não esperar por uma vaga na chapa majoritária e disputa ela mesma uma cadeira na Assembleia Legislativa — número 22.122 —, levando para dentro do jogo político exatamente as bandeiras que a maioria feminina do eleitorado cobra: segurança, família e presença de mulheres nos espaços de decisão.
Outubro vai confirmar o que os números já mostram: na Paraíba, quem não disputa o voto feminino não disputa o governo.
Conteúdo com auxílio de Claude (Anthropic)
