Como é feita a medição oficial das corridas de rua?
Para garantir que a distância de uma prova de rua está correta, existe um padrão rigoroso de aferição homologado pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e entidades internacionais como a World Athletics.
- O processo utiliza uma bicicleta equipada com o Jones Counter, um contador mecânico fixado na roda dianteira, que mede com precisão de centímetros.
- A medição é feita sempre pelo menor trajeto possível (linha ideal das curvas), pois é esse caminho que determina a distância oficial.
- Antes de iniciar a medição, o equipamento é calibrado em um trecho plano e medido com trena de aço (geralmente 300 m).
- O medidor pedala todo o percurso, sempre pelas tangentes das curvas, registrando cada quilômetro e os pontos de virada, largada e chegada.
- Após a medição, é feita uma nova calibragem para garantir a precisão do processo.

Por regra, a distância final sempre terá um acréscimo de segurança de 1 metro por km. Assim, por exemplo, uma prova de 10 km terá pelo menos 10.010 metros medidos oficialmente.
O custo da aferição é relativamente baixo, o que pode encarecer o processo são os custos com deslocamento e hospedagem dos medidores certificados, quando não há um na cidade. O serviço é feito por profissionais credenciados pela CBAt, e a validade da medição é de 5 anos, desde que o percurso não sofra alterações.
“Nada irrita mais um medidor oficial do que ouvir que ‘o percurso estava longo’ por causa do GPS. Esse trabalho existe justamente para que você corra a distância correta.” (Sérgio Rocha, do canal Corrida no Ar)

Como funciona o GPS dos relógios de corrida?
Os relógios GPS funcionam captando sinais de múltiplos satélites para determinar sua posição geográfica em tempo real. O relógio grava uma sequência de pontos (latitude/longitude) ao longo da corrida e calcula a distância percorrida somando os segmentos entre esses pontos.
- O GPS mede a distância por amostragem. Em curvas, por exemplo, ele pode “cortar caminho” se a amostragem for lenta, subestimando o trajeto real.
- Pequenos erros de posicionamento, interferência de prédios altos, túneis, árvores e até o clima podem afetar a precisão. Isso gera pequenas “ondas” ou desvios na rota, quase sempre superestimando a distância total.
- Relógios de entrada ou mais antigos podem usar uma frequência menor de amostragem, enquanto modelos avançados oferecem múltiplos sistemas de satélite, dual-band e algoritmos mais precisos.
- Quando o sinal é perdido (túneis, áreas cobertas), alguns modelos usam acelerômetros internos para “estimar” a distância até retomar o sinal, mas isso pode gerar mais imprecisão.
- A diferença de precisão entre modelos simples e avançados pode chegar a 0,5% a 2%, dependendo do percurso e condições ambientais.

Por que o relógio GPS quase sempre marca mais do que a distância oficial?
Isso ocorre por uma soma de fatores:
- Tangência nas curvas: O percurso oficial é medido no menor trajeto possível. Já durante a corrida, você raramente faz todas as tangentes perfeitas, desvia de outros corredores e pode percorrer até 1% a mais do que o mínimo.
- Erro sistemático do GPS: Os relógios tendem a superestimar devido a pequenos desvios em cada ponto registrado, principalmente em locais com má recepção de sinal.
- Margem de segurança: A medição oficial inclui 1 metro extra por km. Mesmo que você seguisse a linha ideal, percorreria um pouco além da distância anunciada.
Estudos internacionais, como da Runner’s World, já mostraram que em maratonas, poucos atletas conseguem “bater” exatamente a marca de 42,195 km no relógio. O normal é registrar entre 42,3 e 43 km, dependendo da quantidade de curvas e da precisão do aparelho.
“Na prática, ninguém corre exatamente a distância oficial da prova. É esperado que o GPS marque a mais, e isso é normal em qualquer evento de rua.” (Dave McGillivray, diretor da Maratona de Boston)
Para uma aferição justa do seu ritmo durante a prova, prefira usar as placas oficiais de quilometragem e marcar manualmente no relógio, ao invés de depender do alerta automático do GPS.
O que vale como recorde pessoal: tempo oficial ou do relógio GPS?
A resposta é clara: vale o tempo oficial da prova, registrado pelo sistema de chip eletrônico (cronometragem por sensores no número de peito e tapetes de chegada). Só é considerado recorde pessoal o tempo feito em prova oficial, com percurso certificado. O tempo do seu relógio serve para acompanhamento e comparação pessoal, mas não tem validade “oficial” nem para rankings ou inscrições em majors.
Segundo especialistas, recorde pessoal é o tempo líquido registrado em competição, e não treinos ou provas sem aferição.
“Corredores entendam, o seu RP não é o número do Strava; é o tempo oficial da cronometragem da prova.” Jonifferson Mendes, treinador de corrida da JC Assessoria.
Inclusive, só provas com percurso certificado são aceitas para comprovar marcas em inscrições de majors ou campeonatos internacionais. Valorize sempre o evento que segue as regras!
Resumo e dicas finais para quem corre de relógio GPS
- Confie no percurso aferido pela organização (procure sempre provas certificadas pela CBAt).
- Use o GPS como referência, mas saiba que ele tem limitações, diferenças de até 2% são normais.
- Para controlar o ritmo na prova, marque os quilômetros manualmente pelas placas oficiais.
- Considere sempre o tempo oficial como seu recorde pessoal.

Sugestão de imagem: Infográfico resumindo o processo de aferição, principais erros do GPS e dicas para provas
Fonte: ClickPB
